Um minuto pela cultura de paz! (I)
22/08/2009
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Diário da Manhã
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Já tem algum tempo que essa ideia “um minuto de/pela paz” persiste como possibilidade de sensibilização, mobilização e engajamento na cultura de paz. Quando Batista Custódio convidou-me a escrever, com o coração, no Diário da Manhã, pensei: “Eis uma possibilidade de materializar esse projeto. Eis a chance de expor a minha opinião sobre esse assunto.”
Então, hoje, vamos conversar sobre a cultura de paz; hoje, vamos conversar sobre a necessidade de termos paz interior, a fim de gerenciar o exterior. Hoje não queremos conversar sobre os índices de violência, sobre as injustiças que abatem tantas e tantas pessoas de diferentes localidades. Hoje não queremos conversar sobre as crises, os conflitos e os adoecimentos. Hoje queremos conversar sobre a necessidade de um minuto de/pela paz.
O que isso vai mudar na sua realidade, na realidade do seu vizinho, na realidade mundial ou na minha realidade? Acredito que seja a possibilidade de acessarmos outro nível de percepção e outro nível de realidade e fazermos outras escolhas. Como assim?
Bem, poderia conversar com você sobre a física quântica, a mecânica quântica e as últimas descobertas científicas e o impacto dessas evidências na lógica de perceber e estar no mundo. Mas indicarei alguns autores já traduzidos para o português, como, por exemplo, Fritjof Capra, Amit Goswami e Deepak Chopra só para nos divertirmos um pouco com uma leitura extremamente agradável e muito esclarecedora sobre esse outro nível de realidade e de percepção. Mas aqui não estarei refletindo sobre esses autores e as suas vastas literaturas e sobre as interfaces com a cultura de paz. Aqui estou propondo conversarmos sobre a necessidade de um minuto de/pela paz.
Participei recentemente, 13/8/2009, representando a URI Goiás, de uma audiência pública sobre a criação do Conselho Parlamentar de Cultura de Paz, na Câmara Municipal de Goiânia, promovida pela vereadora Cidinha Siqueira, presidenta da Comissão de Direitos Humanos. A palestrante, Lucia Benfatti, representando o Conselho Parlamentar de Cultura de Paz de São Paulo – Conpaz/SP e a Palas Athena, ministrou uma conferência em que contextualizou-nos sobre a história, os pilares, os eixos, os fundamentos e a promoção da cultura de paz. Alertou-nos sobre a necessidade de manifestarmos a paz no nosso dia-a-dia: “É preciso ter uma pró-atividade, sermos pró-ativos, o bem precisa concretizar-se em ações e nos detalhes. Precisamos ser protagonistas, pois o silêncio e a omissão provocam violências. Cada um é um legítimo ator da vida. Construir valores centrais na cooperação, na solidariedade, na ajuda mútua. Paz na mente dos seres humanos. A metodologia da cultura de paz está baseada nas técnicas do diálogo, mediação de conflito e na comunicação não-violenta.”
Mas como aplicar essas ideias no nosso dia-a-dia e nas instituições a que somos vinculadas e vinculados? Como mudar a realidade baseada num modelo de cultura de violência e seus desdobramentos e manifestarmos o modelo e desdobramento da cultura de paz? Como mudar padrões de crenças, atitudes e pensamentos negativos e violentos e acessarmos outros níveis de realidade e de percepções de cultura de paz?
Poderíamos refletir sobre a possibilidade de em um minuto termos e manifestarmos a cultura de paz nas nossas relações internas ou externas, como, por exemplo, comigo mesma, no trabalho, na comunidade religiosa, na família, no lazer, no trânsito, em todas as dimensões da nossa vida.
Quem sabe na hora que esteja acontecendo alguma manifestação da cultura de violência, como a intolerância, a raiva, o ressentimento, o centralismo, o autoritarismo, a injustiça, o desamor, a omissão, a negligência, a apatia, a desmotivação, a negatividade, a subserviência, a vontade acima de tudo e de todos, a agressividade verbal, de pensamento, de ação, de atitude, de gesto e a maldade possamos ter a possibilidade de praticar um minuto pela paz, um minuto de paz.
O que será que aconteceria a partir dessa prática, um minuto de/pela cultura de paz? Será que a realidade continuaria sendo a mesma de cultura de violência ou ocorreria alguma mudança de nível de percepção? Será que haveria alguma mudança ou transformação nos relacionamentos seja pessoal, social ou ambiental? Quais seriam as manifestações de cultura de paz numa realidade distorcida pela violência?
Nessa primeira parte da nossa conversa sobre um minuto pela paz, um minuto de paz, apresentei a você, leitora e leitor, uma proposta. Convido você a pensar sobre esse assunto ou quem sabe você já esteja praticando “um minuto pela paz, um minuto de paz” no seu cotidiano.
Vamos continuar em outros momentos essa conversa/reflexão através de outro artigo. Você, caso queira, encaminhe correspondência com a sua opinião e vamos manter um diálogo “virtual”. Eu estarei respondendo às suas provocações, contribuições, dúvidas, sugestões ou críticas.
Aproveito agora esse espaço para convidar, também, você a estar conosco na Caminhada Mundial da Paz no dia 04/09/2009, saída da Praça Cívica. Vamos, caminhantes da paz, manifestar essa grande sinergia contínua, permanente, engajada, mobilizadora e de ação para e pela cultura de paz? Essa será uma oportunidade de Manifestação da Paz no II Festival Mundial da Paz. Acesse o blog:
http://caminhadamundialdapaz.ning.com e o site
www.festivalmundialdapaz.org.br.
Obrigado pelo seu tempo de leitura e de reflexão! Paz e bem a todas e a todos, até outro momento.
Genivalda Araujo Cravo dos Santos é aignatária da URI Goiás; doutoranda e mestre em Ciências da Religião pela UCG/GO (genivaldacravo@gmail.com), (opinião@dm.com.br)
http://www.dm.com.br/materias/show/t/um_minuto_pela_cultura_de_paz_i_